quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Almoço Ideológico

Almoçar em Restaurantes Universitários pode ser uma aventura instigante. Mais proveitoso ainda é quando se almoça com um grupo, mas no máximo cinco pessoas, se passar desse número se formarão grupinhos e serão conversas paralelas, e não uma conversa democrática. Mas sugiro que se evite cinco, quatro ficaria bem cômodo, mas dou a dica de que três é o número mais agradável.
A conversa pode ser sobre tudo, mas em geral, como em todas as conversas, possivelmente( é, provável, pois eu ainda não participei de todos os tipos de diálogos) cada um tentará enfiar a sua ideologia no outro. É um exercício de compreensão, esforço, e discernimento. Mais ainda quando a ideologia é frágil como uma coluna atingida por uma hérnia de disco.
Pois a pequena curtinha que vou contar se passou dia desses, mas poderia ter se passado em qualquer almoço do século XIX em diante. Bom, depois do XXI já fica suspeito, como já sabem, eu não viverei tanto tempo e não afirmarei nada, deixo as previsões para os tolos.
De maneira passiva, escutava a conversa de um amigo meu e outro sujeito.
O sujeito era um ideólogo prático, e estava discutindo com o meu amigo que não gasta dinheiro com ração para o seu cachorro e alimenta-o com comida humana. A conversa ideológica começou porque Ruan – o que é meu amigo – disse que seu cachorro comia mais do que ele mesmo. O sujeito, que não recordo o nome, ficou puto e disse que era um absurdo dar tanta comida para um cachorro enquanto milhares e milhares de pessoas morriam de fome.
E eu fiquei apenas ouvindo.
Ao fim de sua refeição, o sujeito, com o prato cheio de restos – tinha colocado mais do que conseguia comer, e para quem não sabe, isso é bem comum, ao menos pelo que sei de observações minhas nos RU. Então ele fez o ritual básico de fim de refeição, levantou-se, colocou os talheres em um caixote cheio de água e dejetos oriundos de garfos e facas de outros usuários, e despejou os restos do almoço em um lixo, lixo esse que era forrado por um saco plástico preto. Muito parecido com os sacos plásticos que cobrem alguns defuntos por aí.

9 comentários:

Emily Nhinhinha. <3 disse...

"Almoçar em Restaurantes Universitários pode ser uma aventura instigante", Edson Luís que o diga. xD

É legal ficar falando de fome mundial e deixar comida no prato. Dar o exemplo seria muito mais efetivo que fazer showzinho. Se ele lesse A Fome - Rodolfo Teófilo, Ceará, cajuína, aeae -, teria vergonha de criticar e comeria quieto. Nesse livro, tem gente comendo defunto pra não ficar com fome, defunto mesmo, como os dos sacos pretos.

Muito boa observação, amorzim. <3

Paulo Henrique Passos disse...

Não gosto também desse tipo de gente. Fala, fala, mas faz exatamente o contrário; ou simplesmente "a ideologia é frágil como uma coluna atingida por uma hérnia de disco" e, por isso, falam sem saber argumentar, e se contradizem e resmungam e se repetem, enfim.

A propósito, não sei se se lembra ou se percebeu, mas falo mais ou menos disso no conto "Nobreza", em que o cara se diz indepedente, livre - o único, aliás - e tem suas "ideologias". Mas tudo isso ("independência", "ideologia") tudo é sustentado pelos parentes, que trabalham e ganham dinheiro, o qual o cara considera um "demônio que domina as pessoas"

Além desse, há o "D. Aparecida", onde a mulher só faz o que faz porque não conhece bem o que está fazendo. representa aquelas pessoas que, por nobreza, agem por impulso, sem querer saber mais para transformar melhor. Um sentimento de revolução sem conhecimento sólido do que se quer revolucionar. É patético.

Enfim, é isso. Espero que eu tenha sido claro.

Giovana disse...

poxa, é verdade...

não sei se sou intolerante... mas esses tipos de discussões vazias eu evito de tudo e qualquer tipo....

por isso que quase desisti de faculdade pública na época da greve...

dependendo da companhia, é melhor comer nas bandejas sozinho!!

Thiago César disse...

hahai!
rapaz, vou lhe dizer, aki em casa tem vezes q ateh deixo comida, mas nao sei pq no RU, por mais q eu nao aguente mais comer, sempre faço um esforço pra nao deixar nada, pq dah um negocio ruim ver akela comida indo pro lixo...

Mehazael disse...

Cara, nao sei como é a faculdade aí, mas o RU da UFRGS é horivel. Detesto a comida, então evito (faz tempo que não como lá). Quanto às pessoas, faculdade pública tem de tudo um pouco. Acho que julgar é justamente o pior a se fazer. Realmente é horrível ter que aguentar discurso vazio de gente hipócrita, mas a verdade é que todo mundo tem suas incoerencias e hipocrisias. Não lembro quem disse que a vida em sociedade seria impossivel sem hipocrisia. Um mínimo que seja.

ps: não estou fazendo apologia à hipocrisia; sou contra. Mas em não podendo mudar, só nos cabe aceitar para melhor entender e, quem sabe, ajudar a mudar. Agora chega que isso tá ficando mt auto-ajuda! Detesto gente que vem com verdade pronta tirada de biscoito da sorte. Esuqeça tudo, tudo!

Boa noite...

;-)

CA Ribeiro Neto disse...

Adorei a crônica, cheia de recursos e bem próxima de quem ler.

Acho que em apenas 0,01% das minhas refeições eu deixo comida restando no prato. E não é porque eu coma muito, é porque eu consigo olhar pro prato, pra comida e imaginar quanto que vou comer. Mas isso não vem ao caso.

Estudo política, numa turma onde eu sou o mais novo e todos vivem dentro da política, então, quando vou almoçar com eles, quero essa sua regra de no mínimo 5 pessoas. Toda sexta e sábado são de 8 a 10 pessoas falando de política ao mesmo tempo e, claro, querendo impor sua ideologia por sobre as outras. Praticamente temos alianças, coligações, esquerda x direita, abstenções e, principalmente, a tradicional permanência da amizade depois de tudo. Saímos comunistas, progressistas, democratas, populistas, demagogos e conservadores todos abraçados e rindo!

A moça da flor disse...

auehuheuahuaeh
eu ri desse comentário do Carlim "é porque eu consigo olhar pro prato, pra comida e imaginar quanto que vou comer". haueuhuaehuaeh
Isso que é ser metódico meu filho auheuhauhae.

Mas enfim... Sobre a Crônica...
Fico com peso na consciência quando deixo comida no prato. Por isso que coloco aos poucos. Se ainda fico com fome coloco mais (e ainda falo do Carlim sobre metodismo)hehe.
Concordo com o Marcelo. Não há sociedade sem um pouco de hipocrisia. Mas tudo tem um limite --'
Defender veermentemente uma ideologia e segundos depois fazer justamente o oposto do que se prega é demais.
No meu caso não como em um RU não por escolha minha, mas porque ainda estão construindo --'
aí tenho que voltar todo dia em casa (que não e perto da faculdade) pra almoçar e voltar 2 horas --'.
Gostei muito da crônica!

brigada pelo comentário! Mesmo sendo uma postagem fora de tempo ;p
Tem muito de mim nessa poesia. Usei o máximo de sinceridade. ^^
Bom... Psicologia Social é bem bacana! Principalmente a PS latinoamericana! Mas a cadeira que tou tendo agora num é lá muito boa não. Porque tem umas coisas muito técnicas. Conceitos meio chatos de se aprender e tal --'. Muito de psicologia experimental que eu não gosto muito.
Mas um cadeira introdutória como deve ser a do seu curso é legal :D

Beijos!
(comentário imenso --')

Pedro Gurgel disse...

a última conversa que me lembro claramente de ter tido no RU, foi sobre virgindade...

já pensou?

é como dizem, quem come quieto, come mais!

hahái!

valeu

Giovana disse...

nossa, RU? RU seria restaurante universitário?

na USP falamos simplesmente "bandeijão", o que até se tornou um verbo quando dizemos "vamos bandeijar?"

isso porque em alguns restaurantes, a comida não é servida no prato, é em bandeija mesmo, igual de presidiário... huehueheuheuhe
ainda bem que tem as outras opções que servem em prato (que é onde eu vou)...

Mas mesmo assim, não sei nas outras uiniversidade, mas na USP tem umas 4 opções de bandeijão e tem uns em que não é a gente que põe a comida no prato (ou na bandeija), são os próprios funcionário. Então, nas poucas vezes que fui nesse lugar, era impossível comer tudo o que colocavam... Aí é difícil julgar qm joga comida fora, uma vez que não é a própria pessoa que coloca sua comida no prato.
Agora no bandeijão que costumo ir, eu mesma coloco o arroz e o feijão, então é falta de vergonha na cara mesmo deixar comida no prato!