quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Conjecturas ao sol

O sol incidia sobre o asfalto borbulhante. As pessoas se abrigavam em suas casas e apartamentos como podiam: ventilador, ar-condicionado, sorvete e etc. Eu não tinha nada disso, mas ao menos estava em um banco na sombra.

Uma moça entra no prédio. Sem suor, os cabelos vivos e tranquilos. Sorriso no rosto e óculos de sol. De passo leve e inesperado foi ter com o elevador.

Que estranho... - conjecturei.

Ela não parecia ser atingida pelo calor, e mais, pelo mundo. O dia parecia tão preguento e melancólico, mas ela feliz, limpa. Ela estava de bolsa – sorte - não foi assaltada. A moça se foi, alegre, e eu com suor escorrego pelo rosto e entrando nos olhos, deixando-os ardentes.

Olhei as horas, hora do almoço. Logo a minha companhia de caminhada chegaria para conduzir-me para casa. Amanhã verei a minha moça também. Que não se pode chamar exatamente de moça, nem menina, nem mulher, e sim dos três, mas não vou desviar o foco do assunto.

Para aquela moça, o sol não existia, pois ela iria encontrar um amor. Provavelmente. A minha fica assim também quando tem um encontro comigo?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O sorvete que saiu caro.

Essa é a re-postagem de um diálogo que fiz com o Carlinhos, que por sinal ele pediu para eu postar novamente. Eu tinha colocado a priori no meu já falecido blog Corpo Ambulante, alguns já viram, então não precisa comentar de novo, para quem não, ta aí. Abraço pessoal. Tô com saudades de vocês, é que não postei na semana passada mesmo, desculpas. Aí:












Todo mundo conhece aquelas brincadeiras de que um começa a escrever e o outro continua. Fiz uma dessas com o meu colega de copo(forçadamente - pra poeta ou boêmio ou veado) e letras Carlinhos. Cada um escrevia 7 palavras, começando com ele. Lá vai o texto:





- Mô, compra sorvete?
- Num sei... você sempre dorme depois de tomar sorvete.
- E daí?
- E daí, que você sabe... eu até aprendi uma música nova no violão, essa que toca na novela!
- Hummmmm, então toca. Mas ainda quero sorvete hoje, é desejo!
- Mas amorzinho, a música é bem romântica. Tô precisando daquelas noites de volta, vai!
- Olha o tamanho da minha barriga! Tu nem liga pro nosso filho!
- Ele vai nascer com cara de sorvete, é? (gargalhadas)
- Não! Com a cara do tarado da música safada!
- Mas amor, já são quatro meses sem esquentar o maçarico, aguento mais não!
- Pois trate de sussegar o facho! Já!
- Mulheres! Desisto, vou comprar o sorvete, porém quero ao menos um strip tease. Tudo feito por cê é mara, mô! Começa a se preparar, viu?
- Mas tem umas coisas...tá faltando os acessórios adequatos, dá pra arrumar?
- Isso já tá ficando caro. Bota só os melhores hits para tocar, enquanto vou ver o que faço...
- Onde você vai? Custa nada comprar meu sorvete!
- Vou comprar o sorvete e arranjar algumas cervejas. Sex shop é aberto de madrugada e...
- Ah não! Odeio seu bafo de bebida. Chega. Não quero mais. Só pipoca e sem strip tease! Vai passar Mulher...
- Mulher Menina. Já sei! Odeio esse filme!
- Azar o seu! Vou assistir de porta selada, sozinha, digo, com o bebê! Vá pro sofá sem sorvete, sem cerveja e sem barriguda. Só assim ele nasce com cara de tudo, menos de homem safado!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Duetolatria

Esse poema é um diálogo. Fiz com a Emily pelo msn, fiz a primeira estrofe, ela a segunda, eu a terceira, e ela terminou com a última. Eu não ia postar hoje( ainda é quinta, pois não dormir), porém, como fizemos o dueto, aqui está.


I
- Eu, que vivia solto e largado
Passava horas a conversar
Com a esperança - bicho destroçado,
E por azar, talvez, a tal criatura não tinha mão
Para poder passear comigo ao luar...
Ai! Quem adivinharia que tudo mudaria?
Que com uma simples negativa, qualquer não
A vida minha poderia ter ficado estável...
Não queria, não desejava assim ficar.
E como não esperava, te conheci, tão amável!

II
Por mais que você me esteja a dizer isso,
Eu que me sinto sortuda em tudo.
Diante do nosso firme compromisso
Eu me derreto, fico tonta, muda!
O nosso carinho gira, e retorna, e vem,
Mas a tontura não me faz mal, só bem
Porque de um sentimento tão prazeroso
Nada mais poderíamos ter, senão gozo.
- Todo o mais é resto.

I
- Não há o que competir, mas me ajoelho
Não por submissão, mas por apego
Quero senti-la de olhar aprazível
A tocar-me as mãos com todo esse zelo.
Digo que não vamos esquecer o universo,
Mas tanto sentimento em duas almas assim,
Exige um tempo para se entrelaçar!
Sabes que a vida nos exige mais do que deveria,
Mas juntos, enamorados, vamos nos amar!
Porém, ao chegar visita, faremos sala a quem quiser
O mundo precisa de nossas almas também,
Mas que saibam que tu, apenas tu, és minha mulher...
Ao mundo as cobranças e meu intelecto mecânico,
Mas a ti os poemas e a minh'alma lírica!

II
Ah, sim...! Nosso apego, nossa sublime escolha.
A gota que nos faltava, que escorre e molha
A face antes triste - algo novo aqui germina!
Florescem frondosas flores, frutos e folhas
E fincam-se raízes nesse amor que nos fascina.
Me entrego a ti de corpo e alma, totalmente.
Não me arrependo, pois é devoção diferente,
Idolatria recíproca - ofereço tal qual recebo.
Você, meu senhor, galhardo e mancebo,
É também amigo, confidente, namorado.
Como não o tocar com zelo, amor, cuidado?
É tão ou mais precioso que meu próprio ser!
O mundo chama, mas tudo, tudo pode esperar
Quando é para te ver, para te sentir, te abraçar,
Porque não sabemos o último dia de viver.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Para não dizer que não falei a respeito da postagem de hoje.

Olá, não vou postar nada hoje. Só estou avisando. Mas lerei as postagens de vocês, nobres colegas do Blogs de Quinta.

Bom, terminei de ler a pouco tempo A origem da desigualdade entre os homens do Rousseau, alguém já leu?
E agora, no momento, estou lendo Frankenstein, da Mary Shelley. Esse estou lendo com a Emily, cada um lê um capítulo. É bom que a percepção se aguça mais.
E sozinho, estou lendo Crime em Vulcano , do Jean Lorrah, acho que é homem, não conheço o autor heuaheuae, mas é baseado em Star Trek.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Conjecturas de um babaca terrestre

Noite solitária,
Clichê medonho,
Cerveja na garganta,
Mãos trêmulas.
Muito natural para um poeta.
Acrescentando uma lágrima em cada verso,
Pesadelo poético.
Mais um gole gelado.
Esfria, manera.
Conjecturas existenciais...
Porra de cérebro.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Quase homem, quase bicho

Para todos os professores de gramática

A criatura quase homem caminhava toscamente, ora se curvava, ora andava ereta. De vez em quando coçava a barba longa e robusta, ou para simplesmente se divertir ou para tirar os bichos que assistiam ali.
Pela primeira vez alguém percebeu que o olhar daquele homem, quase por inteiro criatura, bicho, estava irritado. Não simplesmente ódio, porque ele queria fazer algo mas não sabia como. Infelizmente, o alguém que percebeu isso, percebeu de uma maneira confusa e abstrata. E esse alguém esqueceu essa percepção que estava lhe dando um nó na cabeça e foi brincar com a sua própria barba robusta.
O homem bicho avistou uma caverna. Ou ao menos um monte de pedra com um buraco escuro no meio, que ele sabia captar que era um local bom para se dormir e para se achar a maneira de perpetuar a espécie. Ele entrou na caverna, e como esperava, encontrou uma mulher, quase inteiramente bicho. O homem, ainda bestial, não queria fazer aquilo como fez da última vez. A última já o tinha deixado mais confuso ainda. Ele não queria ter que rebolar uma pedra na cabeça da outra fera e depositar o seu sêmen. É, ele tinha feito isso semana passada, e na anterior, e assim por diante. E sempre com essa mesma mulher criatura, que insistia em ficar nessa caverna. Talvez não quisesse sair mesmo dali.
O bicho ficou olhando para a fera quase mulher por alguns minutos, dois ou três. Ele perdeu a paciência. Queria fazer algo, queria entender algo, mas não podia. Queria saber como conseguira cruzar com a mesma outra da sua espécie por várias vezes. Cansou de tentar fazer algo, e apenas fez o de sempre. Mas dessa vez não usou pedra nenhuma, ao se aproximar a mulher, ainda muito animalesca, mas menos do que da semana anterior, fez uma posição amigável ao sexo. Então os bichos bestiais quase humanos se enrolaram ali, sem precisar de violência.
Mais uma vez, ao terminar, o homem bicho ficou pensando por dois ou três meninos. Parece que ele já tinha percebido o que queria. Desejava se exteriorizar. Acho que ele queria dizer:
Eu te amo.
Mas a linguagem não havia sido inventada ainda. O homem bicho se cansou e saiu para caçar. Ele teria que esperar mais alguns milênios...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Betinha

Não lembro quando fiz, acho que foi nesse ano. Não coloquei a data. É apenas um conto, e é só , pessoal.




Betinha dava passos pesados e furiosos no chão. Caminhava pela avenida principal. As luzes brandas dos postes brilhavam seu rosto bem cuidado. Expressão angelical que se mesclava com o ódio que sentia no coração agora.
Ela tem apenas 17 anos, e hoje, acabou o seu décimo oitavo namoro. Não dá, não consegue encontrar o príncipe encantado e logo deixa o pretendente. Esse último era mais ou menos, mas era muito feio. Não que fosse gordo, mas encontrava várias imperfeições em seu rosto e não conseguia amá-lo. Sem contar que ele nunca tinha dinheiro para ir ao cinema com ela, se é feio ao menos que tivesse como agradá-la. Teve que ver Alvorada sozinha e isso a deixava chateada.
Não parou de andar. Olhou em sua bolsa, lá estava eles. Sua coleção sagrada de livros da Stephamie Neyer. Passou os dedos na capa de algum deles e fechando os olhos. Quero um vampiro, pensou.
Betinha estava perdida em suas fantasias. Imaginava um belo janota aparecendo do nada e a beijando como ninguém nunca a beijou. Ela nem percebeu o que estava perto. O seu fim chegaria. Pegou o celular. Sem sinal. Meleca, terei que ir de ônibus. Ainda bem que o meu ex ensinou, pensou novamente. Se encostou no banco da parada. Não tinha ninguém por perto. Talvez por isso tenha se assustado tanto ao ver aquele homem na sua frente. Acabou se afastando um pouco para trás. Observou bem. Ele era lindo, parecia que tinha saído de um conto de fadas. Um Deus.
Aquela presença a excitava. Não entendia bem o que sentia. Tudo bem que ele era o cara mais lindo que ela tinha visto na vida, mas o que estava sentindo agora ia muito além. Era além de. Sentia o corpo tremelicar. O coração batia e pulava como pipocas na panela. O corpo estava mais quente do que o normal. Calor. Olhou-o de pé à cabeça. Parou em seu rosto e estava mais encantada ainda. Ela percebeu dois caninos longos saindo da boca rosada do estranho. Ficou arrepiada. Ela não sabia nada sobre vampiros: só o que tinha lido nos livros da Senhorita Neyer. Sorriu para ele. Ele sorriu para ela. O vampiro colocou a mão dentro do casaco e puxou uma rosa e entregou-a. Ela transmitiu uma expressão radiante como o sol.
O vampiro se aproximou mais e Betinha pôde apreciar o frio de seu corpo. Como era gélido. Deixou ele se aproximar mais. Ele a abraçou sem nenhum problema.
O verdadeiro vampiro ponderou: que fácil, nem precisei usar nenhum poder de sedução. Como é divertido. Uma nuvem sádica de prazer invadiu sua alma imortal. Então finalmente decidiu o que faria. Concentrou-se um pouco e assumiu sua forma normal. A máscara de beleza foi cedendo para o horror. Seus cabelos caíram, deixando à amostra uma careca pedregosa. Os olhos ficaram vermelhos como o sangue e os caninos maiores ainda, como um tigre dente de sabre. Estava se controlando para não rasgar a carne macia da menina.
Betinha viu tudo que foi muito rápido, com o susto ela começou a gritar, mas não tinha ninguém na rua. Por que não tinha? Que pesadelo. Avenida Principal e nenhuma alma viva. O que era aquilo? Que mostro horrível! Sentia-se enganada. Traída, será que nunca encontraria alguém bonito o suficiente e perfeito como ela merecia? Lágrimas nos olhos, tentou correr. Mas o vampiro apareceu rapidamente na sua frente. Ele encostou a mão em seu seio esquerdo. Fechou os olhos, e sem esforço, passou a moldar a carne de Betinha. Ela já não podia falar, não conseguia, estava paralisada de medo. O demônio perverso se divertia com aquilo. Aquele corpo bonitinho sendo transformado em uma abominação. Ele moldou o seio esquerdo dela de uma forma que ficasse dezoito vezes maior do que o direito. Então ela ficou recurvada com o peso do peito. Gargalhou alto. Por um momento precisava agradecer aos tolos que tentavam mudar o que a sua raça foi, é e sempre será: caçadores superiores e perversos. O topo da cadeia alimentar. Mordeu o peito gigantesco da garota e sorveu-lhe o sangue em longas lambidas. Bebia a vida em goles. Não a matou. Largou-a no chão. Fitou-a nos olhos. Agora via o horror novamente. Entrou em êxtase com aquela expressão. Deixou crescer longas garras ossudas em sua mão direita e a degolou. Pouco sangue pulou para fora do corpo. Gargalhou e lentamente foi desativando a sua ofuscação. Hoje não estava preocupado em esconder a vítima, queria causar tumulto mesmo. Ele sim era o verdadeiro diabo retratado nas possíveis ficções de loucos insones.


Tô ouvindo Contando Estrelas to Cidadão Instigado imitar o Carlim, ele gosta de fazer seguidores. kkk